A fonte subdimensionada é a causa número um de câmera apagando à noite em sistemas de CFTV residenciais. O cliente compra a fonte olhando o consumo nominal das câmeras durante o dia, instala tudo, funciona perfeitamente nas primeiras semanas. Quando o infravermelho começa a acionar regularmente à noite, o consumo real sobe 50 a 70% e a fonte trabalha no limite, uma ou duas câmeras desligam e o problema parece intermitente porque só aparece em certas condições.
O cálculo correto envolve três informações: quantas câmeras vai alimentar, qual o consumo de cada uma com o infravermelho ativo e qual margem de segurança aplicar. A regra prática é simples, e a maioria dos kits prontos do mercado erra exatamente nela.
Tabela rápida: quantos amperes para quantas câmeras
Para câmeras Full HD HDCVI (linha VHD Intelbras e similares), que são as mais comuns em sistemas residenciais e comerciais no Brasil:
| Número de câmeras | Consumo total estimado (com IR) | Fonte recomendada |
|---|---|---|
| 2 câmeras | 1,2 A | Fonte 12V 2A ou 3A |
| 4 câmeras | 2,4 A | Fonte 12V 5A |
| 6 câmeras | 3,6 A | Fonte 12V 5A ou 10A |
| 8 câmeras | 4,8 A | Fonte 12V 10A |
| 12 câmeras | 7,2 A | Fonte 12V 10A ou 15A |
| 16 câmeras | 9,6 A | Fonte 12V 15A ou 20A |
Os valores acima já incluem a margem de segurança de 30 a 50% e respeitam a regra dos 80% de utilização. Para câmeras 4K HDCVI, multiplique o consumo por 1,4: modelos 4K com IR longo podem consumir 800 a 900 mA cada.
A regra dos 80%: por que nunca usar a fonte no limite
Toda fonte de alimentação tem uma corrente nominal: o quanto ela entrega em condições ideais. Na prática, três fatores reduzem essa capacidade real:
- Picos de consumo: quando todos os LEDs infravermelhos acionam ao mesmo tempo (transição dia para noite), o consumo instantâneo é maior que o consumo médio
- Calor: fontes operando próximas do limite esquentam mais, e o calor reduz a corrente que conseguem entregar
- Degradação: capacitores e componentes internos perdem eficiência ao longo dos anos
Por isso a regra de ouro: a corrente de carga nominal nunca deve ultrapassar 80% da capacidade da fonte. Uma fonte de 10A não deve alimentar mais de 8A de carga contínua. Quem ignora isso compra fonte de 10A para uma carga de 9A e tem problemas em três meses.
Consumo real por tipo de câmera
O consumo varia muito por geração e tipo de câmera. A maior diferença está entre câmeras antigas (CVBS, 480 linhas) e câmeras HD modernas:
| Tipo de câmera | Consumo dia (sem IR) | Consumo noite (com IR) |
|---|---|---|
| Câmera analógica antiga (CVBS 480 linhas) | 150 a 250 mA | 300 a 450 mA |
| Câmera HDCVI 720p | 250 a 350 mA | 400 a 550 mA |
| Câmera HDCVI Full HD (1080p) | 300 a 400 mA | 500 a 700 mA |
| Câmera HDCVI 4K | 400 a 600 mA | 700 a 900 mA |
| Câmera bullet com IR longo (50m+) | 400 a 600 mA | 800 a 1200 mA |
Para conhecer o consumo exato da sua câmera, consulte o manual ou a etiqueta na traseira do equipamento. Para sistemas com câmeras diferentes, some o consumo de cada uma individualmente em vez de usar a média.
Para entender as diferenças entre câmeras Multi-HD da linha VHD da Intelbras: câmera Intelbras HDCVI.
Fonte individual ou fonte colmeia: qual escolher
Há duas formas de alimentar um sistema de câmeras, com prós e contras práticos diferentes.
Fonte individual (“brick”): cada câmera tem sua própria fonte, com um plugue que vai direto na tomada. Vantagem é o isolamento: se uma fonte queima, só uma câmera para. Desvantagem é o caos físico: em sistemas com 4 câmeras ou mais, você tem 4 a 8 plugues espalhados, várias tomadas ocupadas e nenhum padrão de qualidade entre as fontes (muitas vêm com kits e são de baixíssima qualidade).
Fonte colmeia (centralizada): uma fonte única alimenta todas as câmeras, com saídas individuais protegidas por fusível. Vantagem é a organização e a confiabilidade: fontes colmeia profissionais têm proteção contra curto e sobrecarga em cada saída. Desvantagem é o ponto único de falha: se a fonte queima, todas as câmeras param.
Para sistemas com 4 câmeras ou mais, a fonte colmeia é praticamente sempre a escolha certa. Para 1 ou 2 câmeras, fontes individuais resolvem sem complicação.
Fonte Chaveada Colmeia 12V 10A Bivolt
✓ Indicada para câmeras de segurança.
✓ Fonte bivolt automática com corrente de 10 A para alimentar múltiplos dispositivos.
✓ Estrutura tipo colmeia com ventilação eficiente para melhor dissipação de calor.
Fonte chaveada ou estabilizada: a diferença que importa

Dentro das colmeias, há duas tecnologias:
Fonte chaveada: mais barata, mais leve, mais eficiente termicamente. Pode introduzir ruído elétrico no sinal das câmeras analógicas em determinadas instalações, especialmente com cabos longos.
Fonte estabilizada: mais cara, mais pesada, com tensão de saída mais estável. Praticamente elimina o ruído elétrico que aparece como interferência horizontal na imagem.
Para sistemas com cabeamento de qualidade, distâncias curtas e câmeras Full HD HDCVI, a chaveada resolve. Para sistemas com cabos longos, distâncias acima de 50 metros ou em ambientes com muita interferência elétrica (próximo a quadros de luz, motores), a estabilizada vale o investimento.
Intelbras EFM 1210 G2 12,8V 10A
✓ Fonte automática bivolt ideal para sistemas de segurança e CFTV.
✓ Fornece alimentação estável de 12,8 V com corrente de até 10 A.
✓ Proteção contra curto-circuito, sobrecarga e sobretensão para maior segurança no uso.
Queda de tensão: o problema invisível em câmeras distantes
A fonte entrega 12V no terminal de saída, mas a câmera no fim do cabo pode receber menos. A queda de tensão depende da bitola do cabo, da distância e do consumo da câmera.
| Distância | Cabo bipolar 4mm | Cabo coaxial 2×16 | Cabo paralelo 2×24 |
|---|---|---|---|
| Até 30 metros | Sem problema | Sem problema | Limite |
| 30 a 60 metros | Aceitável | Aceitável | Problemático |
| 60 a 100 metros | Aceitável com câmera de baixo consumo | Limite | Não recomendado |
| Acima de 100 metros | Problemático | Não recomendado | Não use |
Em chamados de manutenção na zona leste com câmera apagando à noite mas funcionando bem durante o dia, a fonte subdimensionada é a primeira coisa que verificamos. O segundo cenário mais frequente é câmera externa a 80 metros da fonte centralizada com cabo bipolar 4mm: o consumo nominal de 500 mA parece pouco, mas a queda de tensão faz a câmera receber 10V em vez de 12V. À noite com o IR ativo, cai para 9V e a câmera reinicia em ciclos. A solução é deslocar a fonte para um ponto intermediário ou usar uma fonte individual local na ponta da linha.
Para entender bitolas e tipos de cabo certos para CFTV: fiação para câmera de segurança.
Como saber se a fonte é o problema
Câmera que liga normalmente, mostra imagem durante o dia e apaga à noite tem 70% de chance de ser fonte. Os sinais clássicos:
- A câmera funciona perfeito nas primeiras horas após ligar e começa a falhar depois
- A imagem aparece com listras horizontais quando o IR aciona
- A câmera reinicia em ciclos (acende, perde sinal, acende de novo) à noite
- Sistemas com várias câmeras: sempre as mesmas câmeras falham (as mais distantes da fonte)
Teste rápido em campo: substitua a fonte por uma de capacidade maior (por exemplo, troque a fonte de 5A por uma de 10A, mesmo que provisória). Se o problema desaparece, é confirmação de fonte subdimensionada. Outro teste: meça a tensão na entrada da câmera com um multímetro durante a noite, com o IR ativo. Tensão abaixo de 10,5V indica queda de tensão ou fonte fraca.
Se o diagnóstico apontar para a fonte do DVR e não para as fontes das câmeras, o cálculo é diferente: fonte para DVR.
Para outros cenários de câmera sem imagem que parecem fonte mas não são: câmera Intelbras liga mas não aparece imagem.
Câmeras IP com PoE: a alternativa sem fonte 12V
Câmeras IP modernas com suporte a PoE (Power over Ethernet) recebem energia pelo mesmo cabo de rede que transmite o vídeo. Eliminam totalmente a necessidade de fonte 12V separada. O switch PoE faz o papel da fonte para todas as câmeras conectadas.
Em projetos novos com câmeras em pontos de difícil acesso (teto alto, fachadas, locais sem tomada), o PoE costuma ser mais limpo que passar fonte separada. Para entender quando faz sentido: câmera IP alimentada pelo cabo de rede.
Para conferir cálculos personalizados com diferentes modelos de câmera, a calculadora online da FC Fontes permite simular o dimensionamento exato: calculadora de fonte CFTV.
Perguntas frequentes
Quantas câmeras posso ligar em uma fonte de 12V 10A?
Aplicando a regra dos 80%, uma fonte de 10A entrega 8A úteis de forma segura. Para câmeras Full HD HDCVI típicas com 600 mA de consumo noturno, isso dá até 13 câmeras teoricamente, mas a recomendação prática é máximo de 12. Para câmeras 4K com IR longo, o limite cai para 8 a 10 câmeras na mesma fonte.
Fonte chaveada serve para câmeras HDCVI?
Sim, sem problemas para a maioria das instalações. A diferença entre chaveada e estabilizada só aparece em cabos longos (acima de 50m) ou ambientes com muita interferência elétrica. Para instalação residencial padrão, a chaveada de boa marca cobre bem.
Posso usar fonte de notebook ou roteador para câmera?
Tecnicamente sim, se a tensão for 12V e a amperagem for suficiente. Na prática, evite: fontes de notebook e roteador são otimizadas para uso intermitente, não para operação contínua 24 horas. A vida útil em CFTV é muito menor que uma fonte específica para câmera, e o custo é parecido.
O que acontece se a fonte tiver mais amperagem que o necessário?
Nada. A câmera puxa apenas o que precisa. Uma fonte de 10A alimentando uma câmera de 500 mA não força nada: a fonte trabalha relaxada e dura mais. Excesso de amperagem é sempre melhor que falta.
Por que a câmera reinicia sozinha à noite?
Em 70% dos casos, fonte subdimensionada ou cabo com queda de tensão. Quando o IR ativa, o consumo sobe e a tensão na câmera cai abaixo do mínimo operacional (geralmente 9 a 10V). A câmera reinicia e o ciclo se repete enquanto o IR estiver ativo. Solução: fonte maior ou bitola de cabo maior na linha da câmera.



